Release do Zé Celso de “Pra dar um fim no juízo de deus”.

O projeto da “Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona” para 2015 é *Teato na Seca da Cidade sobre Rios*.

Veio a Luz: o KRÉP DO CRASH GLOBAL vem do rebaixamento do Poder da Natureza, sobretudo do Poder da Natureza Humana, dos que criam com os povos o que chamam de CULTURA.

“A Natureza se serve d’Ela, Fantasia Humana, como instrumento para prosseguir sua Obra de Criação”.

Sem condições mínimas – a não ser a dos 70% d’água de nossos Corpos, esperma, leite, merda, sangue, mas com apetite voraz de mesmo assim estarmos em Cena a partir da descoberta de que, enquanto todas MÁ$CARA$ implodem em Ódio, renasce o altíssimo Valor na Bolsa da Arte da Vida Teat(r)al de estarmos juntos com pedaços vivos da humanidade, refazendo nossas anatomias aqui agora, pro que há de vir.

Do Períneo irrigando de ar, chovendo nas árvores de nossas caveiras, soprando nas flautas de nossos ossos, escolhemos fazer *Pra dar um Fim no Juízo de Deus*, de Antonin Artaud.

Nesta peça transmissão radiofônica, Artaud coloca em causa o Juízo Final.

Iniciamos assim, com esta peça, o retorno do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona e seu Entorno Tombado como Espaço Público de Cultura Antropofágica Urbana, numa Nova Epopeia.

Nestes dias e noites, Tecno Atrizes, Atores, Músicos, Mestras de Vozes, Cineastas Digitais (ainda em busca de um DJ que retorne aos Ruídos de Sala da Transmissão Radiofônica, ecoando o Programa Original de Rádio projetado por Artaud em 1948, mas proibido) recomeçamos, há 7 dias; hoje temos somente mais 9 pra a-pron-tar, no dia 21 deste mês, Equinócio de Outono, entrada em Áries:

*Pra dar um Fim no Juízo de Deus*,
de Antonin Artaud.

O que, ao descobrir em seu Corpo o Anarquista Coroado em Cena, Coroou a nós, todos q atuamos no chão cênico público, nesta Arte-Vida-Natureza chamada Teatro com TeAto.

Antonin Artaud, preso em 1937 na Irlanda, deportado pra França, passou 9 anos Internado em Hospícios, desde 1937, e só foi libertado no Fim da 2ª Guerra Mundial. Sua grande beleza de Ator q se vê em seus filmes estava detonada por torturas de choques elétricos do sistema Psiquiátrico da época. Sua aparência não revelava seus jovens 49 anos; era a de um idoso de 90. Mas a sabedoria nascida de seu Corpo machucado por todas as suas dores fez dele o grande Curandeiro do século XX. Em 1948 tinha escrito o texto para uma transmissão pela Radio Nacional Francesa – q foi proibida, mas foi gravada e publicada, tornando-se uma Cápsula Revolucionária da Cultura do Corpo Humano. Deleuze e Guattarí explodiram com Éla, os Consultórios Freudianos de Psicanálise, com seu “Anti Édipo”, q tem como subtexto *Pra dar um Fim no Juízo de Deus*.

Fizemos pela 1ª vez esta peça no Centenário de Artaud, dia 4 de Setembro de 1996, no Museu de Arte de São Paulo, o MASP, no Teatro que Lina Bardi criou para Artaud. Mas o lugar, então, já estava aprisionado por Carpetes e Poltronas fixas estofadas. Lina nos falou que tinha feito aquela Ferradura de Cimento q se encontra com um Palco como Espaço Cênico para a Atuação. Para o Público, havia projetado a instalação em Cadeiras Giratórias, pra acompanharem os 360º da Ação Cênica.

Uma vez, disse brava:

“Nunca mais quero pisar naquele Auditório de Colégio de Freiras, em q se transformou o Teatro que fiz pro Artaud”.

Por isso desejamos muito retornar ao MASP ainda no ano de Centenário de Lina, agora que a Curadoria passou para Adriano Pedrosa, que retoma o que Lina concebeu pro “AR” do lugar.

Em 5 Noites Alucinantes do Carnaval de 1997 fizemos esta obra de Artaud na Casa das Rosas.

Em Salvador, a peça foi levada na Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia; corremos Cidades do interior do Estado de São Paulo; o Festival de Teatro de Recife, no Teatro Apolo, de 1998, e o Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro – todos estes lugares de Arte acolheram entusiasmados nossa encenação.

Hoje, novos atuadores e 4 que já fizeram a peça trarão o Texto Seminal de Artaud pra contracenar com a Crash do Globo, despedaçando-se na necessidade de dar passagem a energias regeneradoras.

Marcelo Drummond interpretará o Artaud Monge Massieu na Missa da “Em busca da FéCalidade”;

Camila Mota fará o Artaud Peidão Feliz, como Beatriz Cenci;

Pascoal da Conceição, o Papel de Artaud Marat, que depois de ler o Jornal do Dia, enfezado, caga todos os absurdos q fica sabendo

“na hora de depositar a Sagrada Comida,
mais uma vez antropoafagiada,
no Vaso Sanitário”, a Privada.

Zé Celso fará o Velho Artaud na Mesa de Autópsia pra refazer sua Anatomia.

Roderick Himeros será o Índio Tarahumara Xamã do Rito, a desfazer a Cruz imposta pela Civilização Cristã.

Joana Medeiros será além de Iemanjá; atuará como Joana d’Arc: a Renée Falconetti do filme de Carl Dreyer “Paixão de Joana d’Arc”, em que o Ator Artaud atua; Joana será ainda um dos Artauds Despedaçados, juntamente com Nash Laila, o dançarino Daniel Kairoz, Lucas Andrade e Ariel Rocha, também virados Artauds.

O Coro dos Índios Tahumaras estará sempre com todo o Elenco atuando no Corpo Sem Órgãos. A Música tem Felipe Massumi no Cello y Canto.

Na preparação Vocal, para clamar as glossolalias artaudianas, temos o privilégio de estarmos trabalhando com a Extraordinária Mestra Cantora de Ópera Contemporânea, Madalena Bernardes, que retorna ao Oficina depois de anos.

O Vídeo será realizado pelo Fotografo Igor Marotti e o Cortador de Mesa-Pedro Salin;

O Stage Menager será Otto Barros;

A Direção de Arte será dos “Arquitetos” Marília Galmeister e Carila Matzembacher;

A Luz de Pedro Felizes, Greta Lis e Victor Fonseca;

A Produção Executiva, de Anderson Pucheti;

Na Direção estarão Catherine Hirch e Zé Celso;

A Assessoría de Impressa cabe a Beto Mettig.

A Produção será tocada inicialmente pelo valor do Prêmio Governador do Estado para o Elenco do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona pela “Odisseia Cacildas, nos anos 2013-2014”.

Todos, artistas e técnicos, estamos trabalhando pela Bilheteria, pois, nesta crise de valores, econômica e política, ou o Teatro e o ser humano serão valorizados, ou seremos todos destruídos.

Botando fé na perfurante comunicação deste trabalho, neste ano de Kruck, apostamos.

Fizemos produção da peça em Temporada no Oficina no fim dos anos 90, surpreendentemente bem aceita, mas agora vamos mais uma vez para uma temporada mais Curta, pra dar passagem às outras peças que visam a transformação de nosso Elenco retomando o Poder, o Valor do Teatro como Rito Público da Cultura atravessando o Krép do Crash dos dias e noites de agora.

A Peça, nosso ponta pé inicial em 2015, pasmem, terá a duração exata de 1 hora!

11 de março de 2015

Zé Celso

*MERDA*