[vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/3″][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_single_image image=”6650″ img_size=”full” alignment=”center” onclick=”custom_link” link=”http://teatroficina.com.br/pecas/reidavela/”][/vc_column][vc_column width=”1/3″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=”6702″ img_size=”full” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]
EQUIPE ENTREVISTA HÉLIO EICHBAUER
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Luíz Henrique Sá
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_column_text]Helio, muito já foi falado e escrito sobre sua cenografia para O Rei da Vela. Existe algo ainda inédito, alguma história, técnicas de pintura, bastidores, processo de criação com a equipe em 67?
A equipe de 67 foi formada a partir do teatro em construção, acompanhávamos os trabalhos com a presença querida do Flávio Império e do rapaz que construía o palco giratório. O cenário da peça foi concebido para aquela arquitetura.
A parte pintada foi realizada na cúpula do Teatro Municipal de São Paulo pelo cenógrafo Francisco Giachieri, fiz a maquete e ele ampliou, pintura de arte sobre lona. Estávamos diariamente em sintonia, elenco e técnicos.
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_column_text]Quando Zé Celso, Renato Borghi e Fernando Peixoto te encontraram em Praga em 65/66, o Rei já existia em pensamento? Algo já brotava àquele momento?
Algo sempre brota entre gente de teatro.
Como surgiu a idéia das três seções distintas: realismo crítico, revista e ópera?
A partir dos ensaios de mesa. Guardo as primeiras anotações. Construção a partir das Montagens de Atrações de Sergei Eisenstein e do teatro dos futuristas. Realismo crítico brechtiano, teatro de revista e ópera italiana cada qual com sua estética.
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_column_text]Sobre o célebre grafismo do segundo ato: você já havia usado-o antes?
Era pintor antes de optar pelo teatro, pintava trípticos figurativos com cores tropicais.
O que há de Praga e o que há de Havana no escritório de Sampa e na ilha da Guanabara?
De Praga o construtivismo, a teatralidade eslava e de Havana a cor e o ritmo cubano, a lembrança dos cenários de papel pintado das revistas da Praça Tiradentes.
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]
Carila Matzenbacher
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_single_image image=”6708″ img_size=”full” alignment=”center”][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_column_text]Como era sua relação com a Cia Teatro Oficina em 67? como foi o processo de trabalho da montagem do Rei? você acompanhava todos os ensaios? como era a relação com os atores?
Acompanhava os ensaios e produzia a cenografia, construía os objetos de cena com o ator Renatinho Dobal e visitava as costureiras, criei o bonecão com restos de uma rotunda velha que escapou do incêndio do Oficina.. Relação amor-humor com os atores com quem tinha já partilhado o palco de Andorra de Max Frisch.
Qual a diferença entre cenografia e arquitetura cênica?
É tudo construção. Os franceses chamam a arquitetura cênica de Dispositif Scénique e a cenografia de Décor. Entre abstração geométrica e figuração pictórica, grafismo. O importante mesmo são as mãos dos operários.
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_column_text]Como você adaptaria o Rei de 2017 para o espaço do Teatro Oficina de Lina Bardi e Edson Elito?
Como um cortejo de ricos e maltrapilhos, proletários e burgueses escapando de um incêndio fenomenal, amparados por bombeiros palhaços, chefiados por Chaplin, Keaton e Piolim. Algo assim, circense, construtivista, bio-mecânico. Trampolins e camas-elásticas. Atuar na corda bamba como nós hoje. O Rei da Vela de 67 foi criado para um palco à italiana, com o urdimento aparente, numa arquitetura despojada do genial Flávio Império.
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Gabriela Campos
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_empty_space][vc_column_text]Décadas após a primeira encenação do Rei da Vela, os desenhos originais de figurino estão sendo reproduzidos. Você acredita que alguns personagens serão ressignificados a partir de olhares dos tempos de agora? Essa re-visão, esses novos significados, podem ser incorporados uma a nova representação estética de algum deles?
Creio que sim, os figurinos foram criados a partir de uma intimidade com os atores em ensaio, uma cumplicidade afetiva. Alguns personagens sim podem ser ressignificados, o mundo mudou em 50 anos (pro bem e pro mal). Revendo meus desenhos e fotografias continuo acreditando neles, o teatro de prosa brasileiro ainda não tinha ousado tanto e descaradamente, a não ser no Teatro de Revista e nas chanchadas. Os palhaços eram destemidos, os atores sérios comportavam-se discretamente como mandava o figurino engajado, o politicamente correto da época. No entanto o rei era altamente revolucionário!
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_empty_space][vc_column_text]De que maneira foi estudado e pensado o uso das cores tanto nos cenários como nos figurinos do Rei da Vela?
Os figurinos eram ambíguos, híbridos, sexuais, parte do corpo pudico e abaixo da cintura (abaixo do equador…) exposto como as vedetes, a pedido do Zé Celso. A Frente Única Sexual de Oswald de Andrade desfilando no tombandalho de uma caravela. As cores da bandeira do Brasil, as de São Paulo, as da bandeira americana, o terno branco dos políticos dos anos trinta… Os desenhos de maquiagem idealizados por você são fundamentais na criação das caricaturas dos personagens sociais transpostos para a cena por Oswald. Gostaria de saber um pouco mais sobre o processo de criação dessas máscaras. As máscaras pintadas (personas) foram inspiradas nas dos palhaços, nas maquiagens do teatro expressionista, nas do teatro russo de vanguarda e nas do espetáculo de Brecht Arturo Ui no Berliner Ensemble, com direção maravilhosa de Manfred Wekwerth que frequentei durante meu aprendizado em Praga. Ali, até as mãos das personagens eram pintadas. No Oficina eu mesmo pintei os rostos dos atores com traços característicos (lápis preto), ressaltando o gestus de cada personagem, como fizera o Chaplin em suas comédias e a partir daí cada ator redesenhou sua máscara.
[/vc_column_text][vc_empty_space][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_empty_space][vc_column_text]
Marília Gallmeister
[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Quais foram as referências mais fortes que inspiraram a criação do cenário dos três atos do Rei da Vela?
Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsila do Amaral , a Casa Modernista e móveis de Grigori Warchavchik, o Arturo Ui de Brecht que assisti no Berliner Ensemble, a invenção da vanguarda russa (sempre), circos, o cinema mudo e muito do expressionismo alemão.
[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Como foi a transposição da experiência vivida com Josef Svoboda e todas as referências das vanguardas russas que ele incorpora, para a experiência da anarquia plástica que foi o Rei a Vela?
Não foi anárquico, foi intuitivo e também muito rigoroso. Os atores daqueles tempos eram cultos, aplicados e entusiasmados (sentido grego), dionisíacos e apolíneos (Apolo louco), a TV sem cor, nada de computador, muito cinema (O Rei foi dedicado à Terra em Transe do Glauber Rocha). Estávamos transidos, mas sabíamos quem eram os inimigos. Líamos.
Como você interpreta a antropofagia neste trabalho e, depois de atravessar esta experiência, na sua vida?
O Rei da Vela despertou a fome em muita gente, vários espetáculos, cinema, artes plásticas foram criados a partir daquela data, chacoalhou o teatro brasileiro, regurgitamos tudo que havíamos devorado: uma cultura de voragem desde o descobrimento.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/3″][vc_empty_space][vc_single_image image=”6711″ img_size=”full” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row]